A Re-existência poética de Ronaldo Fraga

Ronaldo Fraga utilizou da sua criatividade, originalidade e habilidade de persuasão de levar o espectador para a visão que se quer ser passada. Em tempos de intolerância em todo o mundo, essa foi a escolha de sua temática para sua coleção.

Com um olhar muito particular e específico, a coleção volta-se para refugiados do mundo. Cheio de poesia e detalhes, foi mostrado que as peças de roupas são a única herança, a alma e a história que muitas pessoas fugidas de seus países, embarcando dia após dia do jeito que conseguem, levando consigo apenas a roupa do corpo. “Há um elo entre a cultura deles e suas roupas”, diz Ronaldo Fraga,e critica a intolerância, não só dos países europeus que querem virar as costas para refugiados e imigrantes, mas para a intolerância das diferenças, incluindo à do Brasil.

Penteados de moçambicanas com cabelos trançados foram presentes nas passarelas, junto de uma imensidão de cores e formas. Brincos, colares e óculos escuros foram marcantes como acessórios. Até algumas peças de roupas marcadas por sangue.Tricôs elásticos nos vestidos vermelhos do final e as flores aplicadas com capricho, além do confortável masculino criado por Rodrigo Fraga, irmão de Ronaldo, trazem não só desejo de moda, mas também de um mundo menos intolerante e mais gentil.

Lion, da Palestina, Alessandro, do Senegal, e Franny, do Congo, posam no backstage (Foto: Elisa Mendes)

Tudo começou no ano passado, quando Ronaldo Fraga fez uma viagem de dois meses para a África. “Há lugares como o Brasil, a Índia, a China e a África, de onde você não sai do jeito que entrou.” a literatura do angolano Walter Hugo Mãe e do escritor moçambicano Mia Couto. Quando foi para a África diz que não tinha na cabeça que sua próxima coleção sairia dali, mas acabou acontecendo. Com a presença de três refugiados e uma transexual na passarela, a coleção encerrou o primeiro dia, com um desfile emocionante, tocante e encantador.

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